PRECIOSOS CONSELHOS DE S. MARTINHO DE DUME,
Bispo de Braga († 579)

“FÓRMULA DE VIDA HONESTA”
~ “Não procures granjear a amizade de alguém por meio da adulação, nem permitas que outros, por meio dela, granjeiem a tua.
~ Nem sejas ousado nem arrogante; submete-te e não te imponhas.
~ Conserva a serenidade e aceita de boamente as advertências e com paciência as repreensões. Se alguém te repreender com razão, reconhece que é para teu bem; se o faz sem motivo, admite que é com boa intenção. Não temas as palavras ásperas, mas sim as brandas.
~ Emenda-te dos teus defeitos, e não sejas curioso indagador ou severo censor dos alheios; corrige os outros sem incriminação, prepara a advertência com mostras de sincera simpatia, e, ao erro, dá facilmente desculpa.
~ Não exaltes nem humilhes pessoa alguma.
~ Sê discreto a respeito do que ouves dizer, e acolhedor benévolo dos que te querem ouvir.
~ Responde prontamente a quem te pergunta e cede facilmente a quem porfia, para que não venhas a cair em contendas e imprecações.
~ Se és moderado e senhor de ti mesmo, vigia sobre as moções do teu ânimo e os impulsos do teu corpo, evitando todas as inconveniências; não ignores pelo facto de serem ocultos pois, não importa que ninguém os veja, se tu, de facto, os vês.
~ Sê flexível, mas não leviano; constante, mas não teimoso.
~ A tua ciência não seja ignorada nem molesta.
~ Considera a todos iguais a ti; não desprezes os inferiores com altivez, e não temas os superiores, se vives rectamente.
~ Em matéria de obséquios e saudações, não te dispenses nem os exijas. Para todos deves ser afável; para ninguém adulador; com poucos familiar; para todos, justo. Sê mais severo no discernimento do que nas palavras; e mais nobre na vida do que na aparência. Afeiçoa-te à clemência e detesta a crueldade.
~ Quanto à boa fama, não apregoes a tua, nem invejes a alheia. Sobre rumores, crimes e suspeitas não sejas crédulo nem inclinado a pensar mal, mas opõe-te decididamente àqueles que com aparente simplicidade maquinam a difamação alheia.
~ Sê tardo para a ira e fácil para a misericórdia; firme nas adversidades, prudente e moderado nas prosperidades; ocultador das próprias virtudes, como outros o são dos vícios. Evita a vanglória e não busques o reconhecimento das tuas qualidades.
~ A ninguém desprezes por ignorante.
~ Fala pouco, mas tolera pacientemente os faladores.
~ Sê sério, mas não desumano, e não menosprezes as pessoas alegres.
~ Sê desejoso da sabedoria, e dócil. Sem presunção, ensina o que sabes a quem to pedir; e sem disfarçar a ignorância, pede que te ensinem o que não sabes.”


COM CRISTO, PARA ENCARNAR E DIFUNDIR A MISERICÓRDIA DO PAI

«A Igreja vive uma vida autêntica quando professa e proclama a Misericórdia, o mais admirável atributo do Criador e do Redentor, e quando aproxima os homens das fontes da Misericórdia do Salvador, das quais ela é depositária e dispensadora». (João Paulo II - Dives in Misericórdia, n.13).

O encontro com a Misericórdia de Deus acontece em Cristo, enquanto manifestação do amor paterno de Deus. É revelando aos homens o Seu papel messiânico, que Cristo se apresenta como Misericórdia do Pai para com todos os necessitados, especialmente os pecadores que precisam do perdão e de paz interior. «Em relação a estes últimos, de modo especial, o Messias torna-se um sinal particularmente legível de Deus que é amor, torna-se um sinal do Pai. Do mesmo modo que os homens de então, também os homens do nosso tempo podem ver o Pai, neste sinal visível» (João Paulo.II –Ibid). Deus, que é “amor”, só pode revelar-se como Misericórdia. (João Paulo II – Ibid).

Se na pregação de Cristo a Misericórdia assume traços impressionantes, que ultrapassam – como emerge da parábola do Filho Pródigo – toda a realização humana, é no sacrifício de si mesmo na cruz que ela se manifesta de maneira particular. CRISTO CRUCIFICADO É A REVELAÇÃO RADICAL DA MISERICÓRDIA DO PAI!...

O Cristo pascal (isto é: a Sua morte e Ressurreição) é a incarnação definitiva da Misericórdia!...

À autêntica misericórdia é essencial a sua natureza de dom. Ela deve ser acolhida como um dom imerecido que é oferecido gratuitamente, que não provém da própria benemerência...

Os sacerdotes, portanto, devem considerar-se como sinais vivos e portadores da misericórdia, que não oferecem como própria, mas sim como dom de Deus. Eles são, antes, os servidores do amor de Deus pelos homens, ministros da Misericórdia.

(De: O Presbítero, Congregação Pontifícia para o Clero)





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