O Salvador do Impossível

(Continuação do "CANTAREI..." Nº 44)

23 - POR FIM, É O PRÓPRIO PECADO QUE PUNE O PECADOR OBSTINADO

Aquele que come veneno, pune-se a si mesmo com a morte e não precisa que seja Deus a puni-lo. O mau uso da liberdade - o abuso das leis reguladoras da natureza num mundo maravilhoso pode provocar desordens nocivas mas não por decisão do juiz e autor das leis.
Assim, não foi Deus que criou o Inferno mas sim o pecado, o renegar a Deus, recusando até ao último instante de vida o perdão divino que priva o pecador, obstinado, de possuir Deus e toda a felicidade, porque o mal não pode estar com a Santidade de Deus.
O pecador, recusando a sua felicidade, que é Deus, auto-exclui-se da última salvação e perde-se eternamente no estado contrário a Deus que é de todo o mal sem bem algum.

Se Deus não quer o mal pelo menos podemos dizer que Deus o permite?

Dizer que Deus não quer o mal mas só o permite é acusar Deus de assistir, sem intervir. Já não seria um Deus Salvador. Deus não envia a dor, nem é passivo, mas sempre está presente para nos acompanhar na nossa dor e torná-la obra de salvação com um amor sempre salvífico.

24 - MAS A BÍBLIA TAMBÉM FALA MUITO NA IRA DE DEUS

A ira de Deus na Bíblia é escatológica, isto é, lembra a ira da última sentença, no juízo final, para quem recusou o perdão de Deus e assim escolheu a sua reprovação.
Deus quer salvar-nos desta última ira, e a ira no tempo da misericórdia é uma ira antecipada que nos faz prever o futuro, ou seja é ainda salvífica. É uma ira de Deus que olha trepidante para a nossa última salvação. É uma ira que corrige e chama à conversão, para salvar o homem.

25 - A MISERICÓRDIA DE DEUS ESTÁ SEPARADA DA SUA JUSTIÇA?

Quando Deus é justo e intervém de modo doloroso não é vingativo, mas faz uma operação dolorosa e salvífica como quando o bom cirurgião opera o doente para livrá-lo do mal e não para abafar e violar os direitos do culpado.
Deus não é Aquele que premeia e castiga, mas Aquele que só pede que abandonemos o mal e reconheçamos o direito de Deus em amar-nos e salvar-nos. Só pede amor em vez de uma reparação vingativa e esquece e alegra-se com o nosso retorno para Ele. Deus só quer lançar os nossos pecados no fundo do mar, esquecê-los. Não condena o pecador arrependido, mas declara-o justo e restitui-o à dignidade de filho de Deus. Vê a parábola do filho pródigo!

26 - COMO SERÁ O DIA DO JUÍZO FINAL?

O dia do Juízo Final não é o dia em que Deus põe de parte a Sua misericórdia para desabafar toda a Sua ira.
As palavras: expiação, sacrifício, vítima, satisfação, purgatório, sofrimentos da vida, etc, não concordam com a Cristologia Bíblica. Não existe na Bíblia um código penal. A eficácia da redenção não é posta no corpo martirizado sobre a cruz, mas na disposição da Alma e Corpo com que Jesus viveu a paixão, o Seu amor a Deus e aos homens, o Seu abandono total ao Pai.
Não foi só o Sangue de Jesus a lavar o mundo e a purificar a consciência, não foi o sangue materialmente derramado (apesar de ter sido Jesus a causa da nossa salvação), mas sim o dom que Jesus fez de Si mesmo até morrer por nós em obediência ao Pai. Isto é, através da cruz, Jesus assumiu sobre Si, com infinito amor, todo o peso do nosso pecado e a nossa condição humana de miséria.
A Cruz de Jesus é a prova de todo o amor do Pai que enviou ao mundo o Seu Filho para o salvar, e do Filho que aceitou dar a Sua vida para nos salvar e se doou ao Pai e a nós. Jesus na Cruz é imagem do Pai invisível, que nos amou no Seu Filho sofredor para salvar todos do pecado e da perdição.

27 - RENDEI-VOS E CONVERTEI-VOS!

Depois do cristão crente olhar para Jesus na Cruz, no Seu extremo amor em tomar sobre Si todo o peso do pecado para nos livrar, já não considera o sofrimento como caminho único de purificação, mas o sofrimento unido ao de Cristo, em Cristo, como Cristo. Este amor deve ser trinitário, ao Pai que nos criou, ao Filho Jesus que nos redimiu e ao Espírito Santo que é todo Amor, Paz, Alegria. Assim, o sofrimento de Cristo torna-se meio de salvação e completa em nós o que falta à paixão de Jesus, para sermos "co-redentores", com Ele. r


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