Testemunhos Vivos


1. O Sr. Padre compreendeu-me, e eu... compreendi a Deus!

Fui uma criança que até aos 5 anos tive uma infância feliz. Aos 6, fui colocada num Colégio Interno de freiras, para estudar, onde o ensino era rigoroso e as visitas a casa só eram feitas nas férias de Natal, Páscoa e Verão. Deu-se a "descolonização"; fomos obrigados a vir para Portugal. Estava presente, no rosto dos meus pais tristeza, desilusão e pânico.
Passados meses, o meu pai regressa a África, deixando-nos preocupados e levando a minha mãe a um internamento hospitalar de mais de dez anos.
Foi a partir daqui que tudo em que eu acreditava deixou de ter algum significado para mim, o crer em Deus, o de acreditar em Deus.
Passados anos, já casada, tive uma depressão de origem nervosa. Excesso de trabalho e valorização profissional (estudei durante 4 anos à noite) foi o culminar desta situação. A não compreensão desta doença por parte dos superiores a que não estavam habituados a faltas de presença no serviço e o ambiente familiar que rejeitava a doença, dizendo que não devia valorizar os comentários ou atitudes dos colegas no serviço, veio ainda a agravar a minha saúde, levando-me ao desespero, pedindo a morte vezes sem conta.
Sentia-me a criatura mais infeliz e rejeitada por Deus! Até que um dia, uma colega com quem convivia pouco, mas pela qual sempre nutri respeito, convidou-me a conhecer um Sr. Padre de uma Igreja de Lisboa.
Lembro esse dia como se fosse hoje. O Sr. Padre conversou comigo como ninguém o tinha feito. Chorei o tempo todo, enquanto o ouvia; dele saíam palavras com tanto amor, carinho, ternura, compreensão que só uma pessoa crente em Deus podia ter esse dom.
Um pouco mais tarde, a minha colega convidou-me a participar num retiro, em Fátima, orientado pelas Missionárias do Amor Misericordioso do Coração de Jesus. Hoje, creio em Deus e quero crer cada vez mais porque sinto paz interior e tornei-me melhor como pessoa. Sinto-me mais forte em situações menos agradáveis ou piores, mas não culpo a Deus, pelo contrário, peço-Lhe apoio e sabedoria para saber ultrapassar essa situação. Participo nas actividades que as Missionárias organizam na linha da Nova Evangelização.
Todas as etapas que passamos na vida devem ter algum objectivo, nem que seja só para Deus testar o nosso amor por Ele. Não O devemos julgar.
Peço àqueles que deixaram de ter fé que acreditem, que visitem uma Igreja e falem, se for possível, com o Padre; confessem-se; vão sentir-se muito melhor como seres humanos; sentirão que não estão sozinhos!
Deus está sempre presente; nós é que nos esquecemos d'Ele, lembrando-O só quando algo corre mal. Como este Sr. Padre nos dizia: "Pensemos neste nosso Deus, digamos-Lhe com ternura e amor: Olá, bom dia, meu Senhor e meu Deus - Ele agradece porque pensamos n'Ele. Assim, como cumprimentamos um desconhecido, porque não cumprimentar Alguém que deu a vida por nós?"

Obrigada, ó Senhor, pela tua misericordiosa compreensão, e obrigada também a ti, colega, que me soubeste "evangelizar"!

2. Agora sou outra pessoa...

Um dia tive que ficar internada num hospital de Lisboa para fazer alguns exames. Aí encontrei uma doente com a qual entrei em diálogo. Num certo momento, ela, desabafando, falou-me dos seus grandes sofrimentos físicos e morais, do seu divórcio, e acrescentou: "Estou viva, não sei como! Um dia peguei no meu filho, bebé, e fui a um certo lugar, longe da minha casa, para pôr termo às nossas vidas. Não sei o que se passou comigo e voltei ainda para a minha casa! Hoje agradeço ao Senhor tamanha graça de me ajudar a viver".
Quando terminou de falar, fiz-lhe ver como o Senhor a ama com amor eterno, como está sempre ao seu lado e nunca a abandona, etc. Dei-lhe umas pagelas e umas boas literaturas, fi-la assinante deste boletim "Cantarei... as Misericórdias" e da Cruzada, comprei-lhe o livrinho "O dia Santificado". Orientei-a para a Assistente Social da sua paróquia, para superar as suas dificuldades económicas e combinámos um outro encontro.
Nessa altura, com muita delicadeza, aconselhei-a a organizar a sua vida para se poder confessar e ir à Santa Missa Dominical.
Passado algum tempo, telefonei-lhe. Ficou contentíssima. Mas, mais contente fiquei eu quando ela me disse: "Desde o nosso primeiro encontro, a minha vida mudou. Confessei-me; o meu filho está na catequese e eu vou com ele. Participamos todos os Domingos na Santa Missa, confesso-me sempre que preciso. Agora vejo tudo diferente e sinto paz; nem sei explicar a felicidade que sinto". Juntas, agradecemos ao Senhor, enquanto eu lhe repetia: O Senhor ama-a muito!
Sim, o Senhor é bom; eterna é a Sua misericórdia!
Uma Missionária

3. Já estamos na graça de Deus!

Nos nossos encontros de catequese para adultos, o meu marido e eu tentamos dar, ao longo do ano, um pouco daquilo que recebemos na nossa formação.
Estando atentos às necessidades dos nossos irmãos à nossa volta, reparámos que uma Senhora comungava semanalmente. Num destes encontros, em que nos preparávamos para a Páscoa, falámos sobre o pecado e a confissão, pois tínhamos ouvido da boca dela que não tinha pecados, porque não matava nem roubava... e que havia 5 anos que não se confessava. Demos-lhe logo alguns bons conselhos que o Senhor nos inspirou. O marido dela ficou sensibilizado e acabou por dizer que também ele não se confessava já há 40 anos.
Eu e o meu marido sentimos que Jesus nos apresentava mais uma oportunidade para vivermos a nossa vocação de Colaboradores das Missionárias do Amor Misericordioso do Coração de Jesus e imediatamente nos oferecemos, com boas palavras e amizade, para ajudá-los para os levarmos a um Sacerdote para se confessarem. Aceitaram. Combinámos tudo. No dia seguinte, o Espírito do Senhor já tinha actuado: vieram ao nosso encontro e, com os seus rostos a brilhar de alegria, disseram-nos: Já estamos na graça de Deus!
Abraçamo-nos aos dois e agradecemos a Deus por mais estes dois "Filhos Pródigos" terem voltado para a casa do Pai.
Glória à Misericórdia do Senhor!
Um casal de Colaboradores




 

 

 
 


© MAMCJ 2003- Todos os direitos reservados